terça-feira, 26 de maio de 2015

QUANTO MAIS CONHECERMOS MELHOR


terça-feira, 19 de maio de 2015

POUPANÇA X TESOURO DIRETO

Em tempos de inflação alta a modalidade de investimento mais conhecida dos brasileiros, principalmente os de baixa renda, tem se apresentado pouco atrativa para os agentes econômicos que conseguem, ainda que de forma sofrida, ser parcimoniosos.

Dados do Banco Central (BC) apontam que a Caderneta de Poupança ainda é, disparado o tipo de investimento de maior capilaridade entre os brasileiro, parte dessa facilidade se deve a sua simplicidade de contratação, isenção de Imposto de Renda e, em alguns situações, das taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras.
Conforme dados do BC, em 2014 o estoque de recursos depositados na caderneta de poupança fechou o ano com um saldo de R$ 648 bilhões em caixa (valores arredondados). Entretanto, o primeiro quadrimestre deste ano tem se mostrado atípico em relação aos dos períodos. Somente nos quatro primeiros meses os saques da poupança superaram os depósitos no montante de R$ 29 bilhões (valores arredondados), conforme observa-se no gráfico 1, são quatro meses consecutivos de queda, com o mês de maio seguindo a mesma tendência.

GRÁFICO 1 – CADERNETA DE POUPANÇA (SSPE + RURAL) COTAÇÃO LÍQUIDA - MENSAL
















Fonte: BC

Gostaria de me ater a pelo menos dois motivos, dentre vários que podem ajudar e entender esta mudança brusca de senário:

O primeiro refere-se ao aumento do endividamento das famílias. Com a economia brasileira passando por um difícil processo de restruturação, moderado aumento da taxa desemprego, redução do consumo, etc. As famílias tem sido cautelosas em seus dispêndios e lançado mão de suas economias para saldar seus débitos evitando entrar na espiral dos juros alto;

O outro ponto, no qual gostaria de gastar maior tempo, tem a ver com a perda da rentabilidade da poupança com relação a outros ativos de renda fixa: a elevação da taxa de juros é um dos principais fatores para a queda do rendimento que pelo quarto mês consecutivo apresenta rentabilidade negativa, ou seja, depositar o dinheiro na poupança só não é pior que guarda-lo debaixo do colchão. Soma-se a isso o aumento da taxa básica de juros da economia (Selic) que, em abril, passou de 12,75% para 13,25% ao ano, tornando investimentos em renda fixa, como o Tesouro Direto e outros ativos mais atrativos.
           
A guisa de exemplo, tomamos como base o rendimento do acumulado dos últimos 12 meses da poupança que foi de 7,44% a.a, contra um título do Tesouro Direto de curto prazo o LFT Tesouro Selic 2021 reajustado para 13,25% a.a., ambos com resgate em um ano para uma aplicação de R$ 5.000,00.

TABELA DE INVESTIMENTO POUPANÇA x LFT SELIC (R$)
APLICAÇÃO
TAXA DE JUROS A.A.
PERÍODO
MONTANTE
JUROS
                           5.000,00
7,44%
 1 ANO
                                5.372,12
                                   372,12
                           5.000,00
12,25%
 1 ANO
                                5.604,78
                                   604,78
 DIFERENÇA
                                   232,66

Como podemos ver os rendimentos auferidos pelo Tesouro Direto excedem os valores obtidos pela caderneta de poupança. Contudo é necessário lembrar que as modalidades de investimento em Renda Fixa estão sujeitas a tributação do IR juntamente outras taxas e emolumentos embutidos do processo financeiro, em resumo o valor líquido ficaria em R$ 486,00, o que ainda assim superaria o rendimento da poupança em R$ 113,88.

Vale ressaltar que, em se tratando de dinheiro, principalmente quando é nosso, tanto para investimento (variação a maior) como para um financiamento (variação a menor) qualquer mudança da taxa de juros implica na rentabilidade da aplicação ou custo do bem adquirido seja qual for o caso.


Artur Assunção